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A elasticidade é um dos conceitos mais básicos da economia.

A elasticidade faz parte do campo da microeconomia, e é crucial conhecer este conceito, assim como as suas consequências.

O conceito de bens elásticos e inelásticos afeta diretamente a precificação das empresas sobre seus produtos.

Portanto, é importante para o investidor possuir uma boa noção deste indicador.

Este conceito diz respeito à quanto de variação na demanda ocorrerá em face a uma variação no preço de um determinado produto.

A gestão de uma empresa trabalha, intensamente, para descobrir o melhor patamar de precificação do seu produto. Isto é, o patamar que trará maior lucratividade à empresa. Portanto, conhecer este conceito é fundamenta, não apenas para a gestão de uma empresa, mas também para o investidor.

A fórmula da elasticidade é a seguinte:

elasticidade

Como vimos, representa a variação da demanda em função de uma variação no preço.

Delta Q é a quantidade demandada final menos a inicial, e delta P é o preço final menos o inicial. Os dois são divididos, respectivamente, pela quantidade inicial e preço inicial.

A elasticidade também pode ser calculada dividindo as variações pelas médias das quantidades e preços finais.

As pessoas, normalmente, apresentam uma inclinação na demanda negativa para os bens. Isto é, as pessoas consomem mais quando o preço de um bem é menor.

Este é um conceito bastante intuitivo, imagine que você vai ao shopping para comprar uma camisa, você está disposto a gastar R$ 200,00. Se a camisa custar R$200,00 você irá comprar apenas uma, se custar R$100,00 você comprará duas, se custar R$50,00 você comprará quatro, e assim por diante.

Ou então, imagine que você está jantando em um restaurante. Você deseja tomar uma taça de vinho, mas não está certo de quantas taças deve tomar. O comportamento normal é que, conforme a taça reduza de preço, o consumidor adquira cada vez mais taças. Portanto, se a taça custar R$90,00, talvez você opte por consumir apenas uma. Se custar R$ 45,00 por consumir duas, e se custar R$ 30,00, três taças.

Portanto, uma redução no preço aumenta a quantidade demandada, enquanto que o aumento do preço reduz a quantidade demandada. Como fica claro no gráfico.

demanda

representação da curva de demanda

Bens elásticos

elásticos

Como vimos anteriormente, o conceito de bens elásticos e inélasticos mensura a variação da demanda para uma determinada variação do preço.

Veremos agora o que são bens elásticos.

Bens elásticos são bens que possuem elasticidade maior que 1. Ou seja, a variação na demanda é maior do que a variação do preço.

Portanto, um aumento no preço de 10% para um produto elástico, causará uma diminuição na quantidade demandada maior do que 10% para este mesmo produto.

Vamos à um exemplo:

O kg da picanha custava R$ 10,00 e sua quantidade demandada era de 20kg. Quando o preço se elevou a R$ 12,00 a quantidade demandada reduziu-se a apenas 10kg. Qual seria a elasticidade preço da demanda da picanha?

Vamos ao cálculo:

(10 – 20 / 20) / (12 – 10 / 10) = (-10 / 20) / (2 / 10) = – 2,50.

Para o cálculo da elasticidade, considera-se apenas o módulo, pois para todo aumento de preço em bens normais, há uma redução da quantidade demandada. O sinal negativo serve apenas para representar está correlação negativa. Portanto, como 2,50 > 1, a picanha é um bem elástico.

Isto fica claro pois enquanto preço se elevou em apenas 20% a quantidade demandada se reduziu à metade do que era antes. Ou seja, uma variação no preço causou uma variação maior na quantidade demandada.

Da mesma forma que aumentos no preços de bens elásticos causam uma redução mais forte na quantidade demandada, diminuições no preço causam um maior aumento de quantidade demandada.

Ou seja, uma redução no preço em 10% causará um aumento na quantidade demandada maior que 10%.

No entanto, conforme uma empresa reduz os seus preços, os seus concorrentes também farão o mesmo. E com isso, irá ocorrer no longo prazo uma queda de lucratividade e diminuição de margens para as empresas do setor.

Bens inelásticos

inelásticos

Bens inelásticos são o oposto dos bens elásticos. Ou seja, uma variação no preço causa uma resposta menor na quantidade demandada.

Tanto para o aumento do preço, quanto para a sua redução.

Vamos a um exemplo:

Um empresa de seguros de saúde elevou o preço de seus planos em 50%, saindo de R$ 100,00 para R$ 150,00. A quantidade demandada, que anteriormente era de 100 pessoas, passou a ser de 90 pessoas. Qual é a elasticidade dos planos de saúde, e que tipo de bem é ele?

Vamos calcular:

(90 – 100 / 100) / (150 – 100 / 100) = (-10 / 100) / (50 / 100) = – 0,2.

Ou seja, um aumento de 1% no preço causa uma redução de apenas 0,2% na quantidade demandada.

Por sua vez, um aumento de 50% no preço causa uma redução de 10% na quantidade demandada.

Portanto, este é um bem inelástico, pois o módulo de sua elasticidade é menor que 1, e variações no preço tem efeito reduzido na quantidade demandada.

Produzir bens inelásticos pode ser interpretado como uma ótima notícia para as empresas.

Pois, elas podem aumentar o preço de seus produtos e elevar a sua lucratividade, já que a diminuição na demanda será menor que o aumento do preço.

Assim, a empresa além de elevar o seu lucro, eleva as suas margens de lucratividade.

Da mesma forma, reduções no preço de bens inélasticos causam um aumento menor, em relação ao preço, na quantidade demanda.

Portanto, não faz sentindo para estas empresas diminuírem os seus preço, pois o aumento na quantidade demandada não é o suficiente para compensa-ló, e ainda ocorreria queda de margens de lucro da empresa.

Fatores que afetam a elasticidade

fatores elasticidade

Existem alguns fatores principais que afetam a elasticidade dos bens na economia, são eles:

  • Existência de bens substitutos
  • Tempo
  • Participação no orçamento

Vamos explicar cada um deles:

Bens substitutos

É bastante intuitivo o porque de existência, ou não, de bens substitutos, pode definir se o bem é elástico ou inelástico.

Imagine que você vai ao mercado comprar carne, mas o preço do kg da carne está muito caro.

Você, então, pode optar por um dentre os vários substitutos próximos da carne, como outras carnes mais baratas ou até mesmo o frango.

Sendo assim, a existência de bens substitutos próximos fará com que alterações no preço afetem bastante a quantidade demandada.

Você também pode aplicar este conceito a carros comuns.

Tipicamente, carros possuem concorrentes diretos, com características bastante similares. Digamos que você queira comprar um carro modelo SUV, se o modelo de marcar X estiver mais caro, você pode, sem grandes consequências, optar pelo modelo da marca Y ou pelo da marca Z.

Portanto, novamente, alterações no preço causarão forte redução na quantidade demandada.

Por outro lado, a inexistência de bens substitutos é uma característica de bens inelásticos. Suponha que você consome um remédio que é produzido por apenas um laboratório.

Se o preço deste remédio aumentar, você não terá outra opção se não a de continuar a consumir este remédio por um preço mais elevado, pois é uma questão de saúde.

Sendo assim, a ausência de substitutos próximos faz com que aumentos de preço não causem fortes reduções na quantidade demandada.

Tempo

Outro fator importante para definir se bens são inelásticos ou elásticos é o tempo.

Conforme o tempo decorrido da alteração do preço aumenta, o consumidor passa a ter mais alternativas para substituir um determinado bem, e a sua elasticidade tende a aumentar.

Por exemplo, energia é um produto consideravelmente inelástico, pois não há muitos substitutos próximos.

Se a energia, hoje, sofrer um grande aumento do preço, é provável que seguiremos nossas vidas normalmente nas próximas semanas ou meses, demandando a mesma quantidade de energia.

No entanto, ao longo do tempo, é possível que as pessoas comecem a pensar em soluções. Como por exemplo, instalar painéis de energia solar.

Um outro exemplo de como o tempo afeta a elasticidade ocorre com combustíveis. Um aumento no preço de combustíveis, geralmente, no curto prazo, não alteram a quantidade demandada da população por este bem.

No entanto, no longo prazo, a quantidade demandada pode alterar conforme as pessoas pensam em soluções para o aumento do preço. Como por exemplo, utilizar o transporte público, aplicativos como o Uber, ou implementar um sistema de caronas.

Participação no orçamento

A participação no orçamento é outro fator determinante sobre o quão elástica é a quantidade demandada de um bem.

Imagine que o preço do kg de sal dobrou. O preço dobrar é um aumento bastante considerável, no entanto, como este bem responde a apenas uma pequena parcela no orçamento da maioria das pessoas, é normal que sua quantidade demandada não se altere de forma relevante.

Agora imagine que um apartamento que você desejava comprar dobrou de preço, neste caso a sua quantidade demandada certamente irá mudar. Pois, a casa própria é um bem com uma participação muito relevante em um orçamento, portanto, a sua sensibilidade a mudanças de preço será maior para este bem.

Aplicando a elasticidade aos investimentos

elasticidade aplicada

Agora que já dominamos o conceito de elasticidade, vamos aplica-ló aos investimentos.

Obviamente, para o investidor, é muito melhor que a sua empresa produza bens com demanda inelástica. Pois assim, a empresa pode aumentar o preço de seus produtos sem que a quantidade demanda reduza de forma excessiva.

Isto acarreta em aumento de lucro e também de margens de lucratividade.

Mais ainda, se o bem é inélastico isto indica que, na visão do consumidor, não há substitutos próximos para o produto de sua empresa. Ou seja, a empresa possui uma clara vantagem competitiva.

Empresas que conseguem aumentar o preço dos seus produtos sem que a quantidade demandada se reduza são, geralmente, empresas de sucesso.

Por outro lado, se uma empresa produz um bem extremamente elástico pode ser mais difícil para ela obter sucesso. Pois, a empresa não irá conseguir aumentar o preço pago pelo consumidor sem que haja forte redução da quantidade demandada.

Além disso, é comum para empresas que produzam bens elásticos que existam vários substitutos próximos, portanto, um ambiente de concorrência muito feroz. Isto causa diminuição dos lucros e das margens da empresa.

Desta forma, é inteligente que o investidor procure empresas que possuem uma demanda cativa e inelástica sobre os seus produtos.

Um exemplo de empresa assim é a Apple. A companhia é conhecida por ter os seus produtos com preços elevados, no entanto, ainda assim, encontra uma demanda cativa pelos seus aparelhos.

Isto ocorre pois ela produz produtos que, na visão do consumidor, não apresentam substitutos próximos. Embora existem concorrentes fortes para a Apple, muitos clientes preferem pagar mais caro para utilizar a marca.

A Apple já implementou sucessivos aumentos de preço em seus produtos, e eles continuam sendo demandados pela população.

Isto contribui para a empresa apresentar altas margens de lucratividade.

Por isto, a companhia tem se provado um ótimo investimento ao longo do tempo.

Outros tipos de elasticidade

tipos elasticidade

Tratamos, neste artigo, da elasticidade preço da demanda, no entanto, existem uma série de outras elasticidades.

Tais quais:

  • Elasticidade renda: Mede a variação na quantidade demandada conforme a variação da renda de um consumidor. Os bens podem, de acordo com a elasticidade renda, serem classificados em bens normais ou bens inferiores. Bens normais são aqueles os quais a quantidade demanda aumenta conforme a renda aumenta, como por exemplo, aparelhos eletrônicos. Já bens inferiores são aqueles que conforme a renda aumenta, a quantidade demandada se reduz, como por exemplo, passagens de ônibus.
  • Elasticidade preço da oferta: Mede a variação na oferta de um produto conforme a variação no preço deste produto. Ou seja, o quão sensível é a oferta em relação à variações no preço. Normalmente, quanto maior o preço de um produto, maior será a quantidade ofertada do mesmo. A oferta elástica ocorrerá quando o aumento na quantidade ofertada for maior que a variação do preço, e a oferta rígida ocorrerá quando o contrário ocorrer.
  • Elasticidade cruzada da demanda: Mede a variação na quantidade demandada de um bem de acordo com a variação do preço de outros bens. Os bens podem, de acordo com a elasticidade cruzada, serem considerados complementares ou substitutos. Bens complementares são aqueles que, um aumento no preço de um bem, causa redução na quantidade demandada do outro bem, como por exemplo, café e açúcar. Já bens substitutos são aqueles os quais o aumento do preço de um bem, causa aumento na quantidade demandada de outro bem, como por exemplo, carne e frango.

Conclusão

conclusão elasticidade

A elasticidade é um conceito muito importante para a economia, mais especificamente, para o campo da microeconomia.

Além disso, este conceito possui aplicações diretas e pode ser observado durante o dia a dia das pessoas.

A produção de bens inelásticos pode ser um indicador de vantagens competitivas para empresas, enquanto que bens elásticos podem indicar um ambiente concorrencial forte.

Portanto, é crucial que o investidor tenha um boa noção de elasticidade ao considerar as empresas nas quais vai investir. Assine a Suno e veja nossas carteiras recomendadas de ações e fundos imobiliários!

Fonte: Suno Research em https://www.sunoresearch.com.br/artigos/elasticidade/

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