Homem que chega aos 65 anos pode esperar viver até os 82 (oneinchpunch/Thinkstock)

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Confusão entre conceitos de expectativa de vida e de sobrevida é comum na discussão da reforma da Previdência

Por João Pedro Caleiro

São Paulo – Desde que o Brasil passou a discutir mais a questão da Previdência ainda no governo de Michel Temer, um slogan vem se repetindo entre os opositores de uma reforma.

É comum ouvir que o estabelecimento de uma idade mínima de aposentadoria por volta dos 65 anos significaria obrigar o brasileiro a “trabalhar até morrer” ou nunca poder se aposentar.

Um dos argumentos é que não faz sentido estabelecer uma idade mínima igual para todos se a expectativa de vida varia entre os estados.

Este dado realmente varia em quase dez anos: vai dos 70,9 anos no Maranhão até os 79,4 anos em Santa Catarina, segundo dados do IBGE referentes a 2017.

Em três estados – Piauí, Maranhão e Alagoas – a expectativa de vida ao nascer está em torno dos 67 anos para os homens.

No começo do ano, o próprio presidente Jair Bolsonaro usou a expectativa de vida no Piauí para defender que a idade mínima deveria ter diferenças por categoria profissional e por região.

Mas este dado é pouco útil no debate sobre Previdência, pois a média geral é puxada para baixo por fatores de mortalidade precoce – em especial a mortalidade infantil, mas também a violência urbana e taxa de acidentes.

“Os dados revelam, lamentavelmente, que a esperança de vida ao nascer é muito diferente entre os estados. Mas quando olho a diferença superada a mortalidade infantil, eles convergem”, disse Paulo Tafner, um dos maiores especialistas em Previdência do país, em um debate nesta quinta-feira (21) em São Paulo.

Fonte: Exame

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