Foto: Reprodução

“A ‘criança’ apanhou o dia todo. Fez isso porque já não aguentava mais apanhar. Queria se defender. Infelizmente o pai ensinou a atirar. E ele atirava muito bem”, o depoimento acima é de uma vizinha do adolescente de 15 anos suspeito de atirar e matar o próprio pai, o policial militar aposentado Yves Rogério Ferreira Lopes, 52. 

O crime aconteceu na manhã do sábado (30), na casa da família, no bairro de São João do Cabrito, Subúrbio Ferroviário de Salvador. O corpo de Yves foi sepultado no final da manhã deste domingo (31), no Cemitério Quinta dos Lázaros, na Baixa de Quintas. 

O clima na rua onde a família mora é de surpresa pela atitude do adolescente, que é apontado pela polícia como o principal suspeito de matar o pai com um revólver calibre 38. O garoto é tido pelos conhecidos com um “menino tranquilo, quieto e bastante reservado”. O comportamento seria fruto, segundo eles, de uma educação rígida dada pelo pai que, por vezes, utilizava da força como forma de “corrigir” o adolescente.

De acordo com a PM, o garoto foi conduzido e apresentado na Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI) no sábado. A arma utilizada no crime também foi encaminhada para a delegacia junto com o suspeito. A Polícia Civil informou que, posteriormente, o adolescente seguiu para o Ministério Público (MP-BA).  

Violência
Uma vizinha da família, que preferiu não se identificar, disse que, no dia anterior ao crime, o clima na residência de número 28 E era de tensão. Todos que passavam em frente ao imóvel conseguiam escutar os gritos do adolescente que, aparentemente, apanhava do pai. 

“Foi a sexta-feira toda assim. O menino passou a manhã toda apanhando. Todos os vizinhos escutaram os gritos. Mas ninguém quis se meter. Era sempre assim. Por qualquer motivo, o menino apanhava. Se o cachorro fizesse cocô e ele não limpasse, apanhava”, disse a vizinha. 

Uma outra conhecida da família também confirmou que o pai era violento com o filho. As agressões, de acordo com ela, se estendiam para a mãe e um outro filho, de aproximadamente 10 anos. Inclusive, ainda segundo relato da vizinhança, na manhã do crime, o garoto utilizou a arma para atirar no pai depois da mãe tentar intervir na surra e acabar machucada.

O CORREIO apurou que o policial aposentado havia ensinado o filho a atirar. E que era possível, de vez em quando, escutar o barulho dos disparos vindo dos fundos da casa da família.

“Por isso que quando escutamos o barulho [do disparo] achamos que era ele treinando a família. Na rua, o pai era aparentemente tranquilo, na dele, dentro de casa era o contrário, peverso demais”, completou um vizinho. 

Fonte: Correio da Bahia

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