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Levantamento realizado pela Stake aponta que investidores buscaram rentabilidade nas marcas envolvidas no desenvolvimento de imunizantes

Por Naiara Bertão, Valor Investe — São Paulo

Enquanto a pandemia continua avançando, as equipes de cientistas e pesquisadores recebem glórias por feitos quase impensáveis, como o de desenvolver uma vacina em tempo recorde.

Foram para os laboratórios e começaram a planejar uma solução para um problema que ainda não entendiam. Naturalmente, isso despertou o interesse em investir no que era visto como uma vacina para salvar o mundo. Para financiar todo o trabalho, muito dinheiro foi investido e o mercado financeiro e de capitais contribuiu para isso. Atos pontuais de altruísmo colocados de lado, o que os investidores das farmacêuticas queriam é estar no time que financiou a vacina salvadora e ganhar, obviamente, muito dinheiro com isso.

Um levantamento da plataforma de investimentos no exterior Stake mostra o interesse dos investidores por ações de empresas que lançaram vacinas contra covid-19, como Pfizer, BioNTech, AstraZeneca, J&J e NovavaxEsses papéis dispararam na bolsa americana, não apenas em preço, mas também bateram recorde de volume negociado.

Segundo a Stake, somadas, as ações das principais farmacêuticas de capital aberto movimentaram US$ 95,9 milhões em sua plataforma.

Principais conclusões:

  • Moderna (MRNA): Ação de vacina mais negociada pelos clientes da Stake desde janeiro de 2020. Só no quarto trimestre de 2020, US$ 24 milhões em volume foram negociados em MRNA (quase um quarto de todo o volume de ações de vacina).
  • Novavax (NVAX): 2ª ação mais negociada. A maior parte da atividade comercial ocorreu quando a ação disparou.
  • Johnson & Johnson (JNJ): foi a única ação a aumentar o volume negociado pelos clientes da Stake ao longo do tempo observado.
  • AstraZeneca (AZN): menor volume de negociação de todas as ações de vacinas e menor retorno nas ações.

“O investimento geral aumentou a cada trimestre em 2020 até atingir o pico no quarto trimestre. E então, caiu drasticamente nesse início de 2021”, diz Paulo Kulikovsky, diretor de Operações da Stake.

Análise de volume de negociações das fabricantes de vacinas

Contexto

No início de março de 2020, quando o vírus avançada na China e Europa e chegara ao Brasil, havia algumas tentativas solitárias de farmacêuticas tanto à procura de remédios quanto vacinas.

Drogas como o Plaquinol (mais conhecido como hidroxicloroquina) dominaram as manchetes como uma resposta potencial. O fabricante do PLaquinol, Solyn (SNY), viu um aumento na quantidade de operações na bolsa, mas a maioria dos investidores evitou comprar ações. Em julho, a OMS interrompeu todas as pesquisas sobre o medicamento.

Ao que tudo indica, os investidores estavam à espera do desenvolvimento de uma vacina mesmo. A Moderna (MRNA) foi a primeira fabricante que se destacou. Nas primeiras duas semanas de julho, as ações subiram 50% com base nos resultados positivos dos testes de fase 2 e uma inclusão coincidente na Nasdaq 100. A vacina preliminar mostrou números de anticorpos quatro vezes maiores do que os encontrados em pacientes já recuperados. O progresso era promissor.

“Milhares de clientes da Stake, que até o momento só operava na Austrália, negociaram US$ 8 milhões em ações da Moderna durante este período. A ação estava um pouco esquecida nos seis meses anteriores”, diz conta Kulikovsky. “Até hoje, a Moderna continua sendo a ação de ‘vacina’ mais negociada da Stake, com mais de US$ 50 milhões em volume de negociações”, completa.

Os meses que seguiram foram os mais importantes para que uma vacina se tornasse viável. Os maiores fabricantes de vacinas estavam engajados nos estágios finais de seus testes.

Em novembro, os resultados já estavam disponíveis. A Moderna relatou uma taxa de eficácia de 94,1%. Da mesma forma, a vacina da Pfizer publicou uma taxa de 95%. Durante este período, as ações da Moderna e Pfizer representaram o maior número de trades já vistos na Stake, US$ 30 milhões em ações foram negociados considerando as duas.

Embora a disseminação da vacina pudesse levar anos, parecia haver uma solução para a pandemia. A Moderna subiu 100% durante o mês, a Pfizer subiu 20%, a BioNTech subiu 40%. Então veio dezembro, um lembrete doloroso da fragilidade da situação.

De um lado do mundo, o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) aprovou várias vacinas para implementação nos EUA. Na mesma semana, uma nova cepa do vírus foi detectada na África do Sul.

Kulikovsky conta que a descoberta sugou o otimismo dos mercados à medida que os estoques de vacinas começaram a cair. Essa variante não apenas era mais contagiosa, mas também poderia driblar a imunidade causada pela vacina. As principais vacinas relataram eficácia reduzida contra a cepa, conforme ela se espalhava para outras partes do mundo.

Além da cepa sul-africana, há constantemente novas mutações se desenvolvendo em todo o mundo. Os cientistas admitem que isso pode significar que uma nova vacina seria necessária anualmente. Por enquanto, o mundo está lidando com a maior ameaça.

Três meses após o início do ano, 550 milhões de doses foram administradas em todo o mundo. Tendo em mente que a maioria das vacinas requer duas injeções, Israel lidera o mundo com 115 doses por 100 pessoas. Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, Chile e EUA completam o top 5. As ações de vacinas permanecem populares na Stake, consistentemente fazendo parte do nosso top 100.

Fonte: Valorinveste

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