Um ciclista que pedalava pela BA-938 encontrou um animal da espécie Guariba-Preto (Alouatta caraya) morto às margens da rodovia, ao lado da barragem de Ceraíma, na zona rural de Guanambi. O registro foi feito na última terça-feira (14). O Guariba é pertence a mesma família dos primatas, como os macacos.

Ele fotografou o corpo e enviou a foto pelas redes sociais, contando sobre o acontecido e alertando as pessoas sobre a importância da preservação da espécie, cada vez mais rara na região.

A imagem chegou à Superintendência do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), Em Vitória da Conquista. O órgão entrou em contato com a Associação de Ciclistas da Serra Geral para pedir mais informações sobre o ocorrido. No dia seguinte, o Inema enviou um técnico ao local para investigar as causas da morte.

Christiano Castro, presidente da Associação, esteve no local acompanhado do técnico. Eles acreditam que o animal pode ter sofrido uma descarga elétrica ao tocar nos fios da rede de energia próxima ao local onde o animal foi achado. Segundo Christiano, o rabo do Guariba aparentava estar chamuscado pelo suposto choque elétrico.

Ele disse à Agência Sertão que um senhor que passava pelo local relatou ter encontrado o animal morto às margens da barragem, e que o tirou da água e o colocou no local onde ele foi avistado pelo ciclista.

Foto: Christiano Castro

Por precaução, a Secretaria de Saúde de Guanambi foi acionada e enviou agentes da equipe de controle de zoonoses para coletar os restos mortais do macaco e submetê-los a análises laboratoriais. Os resultados devem sair nos próximos dias.

Christiano explica que esta espécie é um simbolo para os ciclistas da região. “Realizamos em 2019 o Desafio Guariba, a competição foi em homenagem a esse animal. Esse ano realizaremos a segunda edição deste desafio que faz parte do calendário da Federação Baiana de Ciclismo, valendo pontos para o ranking do Campeonato Baiano”, comenta.

Ele explica ainda que os ciclistas da região avistam muitos animais como macacos, veados, onças pardas (suçuarana), raposas e roedores de várias espécias durante as trilhas pela Serra Geral e Serra dos Montes Altos.

O animal encontrado era macho e tinha pouco mais de meio metro de cumprimento. Machos dessa espécie podem pesar até 7 quilos e atingir mais de 60 centímetros de cumprimento.

O Guariba

Foto: reisegraf.ch / Shutterstock.com

Segundo as informações do Instituto Chico Mendes de Preservação da Biodiversidade, a espécie é encontrada em várias regiões do Brasil e de outros países da América do Sul.

O estudo do órgão afirma que o Guariba está em declínios populacional devido às ameaças, como perda e a fragmentação do habitat provocados pela expansão das áreas agrícolas e de pecuária, os incêndios florestais e a expansão urbana e das matrizes energética e rodoviária, a caça e a vulnerabilidade a epidemias de doenças infecciosas, especialmente a febre amarela.

Além da caça para consumo e captura de filhotes para o tráfico de animais silvestres, há relatos de animais mortos por moradores da zona rural durante a epizootia de febre amarela silvestre (2008-2009) no Rio Grande do Sul. Os animais no entanto não são os responsáveis pela doença, mas servem como indicador para alertar sobre o risco de epidemia da doença.

Sendo predominantemente preto, o guariba também possui manchas avermelhadas e marrons pelo corpo, efetivando um contraste que se mistura com as árvores pelas quais ele passa a maior parte do dia, camuflando assim sua cor perante predadores, como a onça e outros carnívoros.

Como habitat, eles preferem as florestas próximas a lagos e rios. Eles também são conhecidos como Bugio-preto ou Barbado

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