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Com uma incidência de um caso a cada 455 pessoas em Salvador, a doença falciforme será tema de discussões e palestras na IX Semana de Mobilização da Doença Falciforme, inicida nesta segunda-feira (21), na Faculdade Bahiana de Medicina, no Cabula.

A doença hereditária atinge, principalmente, pessoas negras. A ação é promovida pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), com foco em profissionais, estudantes, residentes, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), pacientes e demais interessados na temática estiveram presentes na ocasião.

O tema central da abertura da semana foi a importância do autocuidado nos aspectos da saúde mental e bucal dos pacientes com a doença.

Ao longo da semana, 31 unidades de saúde vão realizar atividades voltadas a alertar os usuários sobre os principais sinais da doença, através de palestras, ações educativas, acolhimento e consultas, além de busca ativa de pacientes com a patologia. Segundo Marivone Monteiro, que é técnica do Campo Temático do Programa de Atenção às Pessoas com Doença Falciforme, o diagnóstico e o tratamento pode ser feito ainda no início da vida, com o teste do pezinho e o acompanhamento médico. (Bahia Notícias)

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O QUE É DOENÇA FALCIFORME ?

Doença Falciforme é um nome utilizado para as doenças causadas pela presença de uma Hemoglobina anômala, a Hemoglobina S nos glóbulos vermelhos.

O QUE É HEMOGLOBINA?

Hemoglobina é uma proteína responsável pelo transporte de oxigênio aos tecidos. Está presente nos glóbulos vermelhos do sangue (Hemácias).

O QUE SÃO HEMÁCIAS?

As hemácias são células flexíveis e arredondadas que conseguem transitar por todos os vasos sanguíneos do organismo, levando o oxigênio ligado à hemoglobina. Alterações na Hemoglobina podem gerar anormalidades nas hemácias e na sua função de transportar oxigênio.

COMO SE ADQUIRE A DOENÇA FALCIFORME?

Trata-se de uma doença hereditária (ou seja, herdada dos pais) causada por uma mudança no gene da Hemoglobina. Como resultado desta alteração genética, uma Hemoglobina anormal, chamada Hemoglobina S, é produzida em lugar da Hemoglobina normal (Hemoglobina A), presente nas pessoas adultas que não apresentam a doença.

Quando uma pessoa herda dois genes com esta alteração, (um do pai e outro da mãe), é homozigota para a Hemoglobina S (Hb SS), e é portador de Anemia Falciforme (forma homozigota da Doença Falciforme). Quando herda a alteração de apenas um dos pais é considerada Traço Falciforme (HbAS), e não tem doença. Poderá entretanto transmitir este gene mutado para seus filhos.

A Hemoglobina S pode ainda associar-se a outras anormalidades da hemoglobina, como por exemplo Hemoglobina C, Hemoglobina D, Beta Talasemia, etc, gerando outras condições, todas elas sintomáticas.

Todas as condições geradas pela Presença da Hemoglobina S são conhecidas como Doença Falciforme, e somente a presença de dois genes para HbS é chamada de Anemia Falciforme.

O QUE A PRESENÇA DA “HEMOGLOBINA S”  PROVOCA NO ORGANISMO?

As hemácias das pessoas com Doença Falciforme sofrem alterações que modificam sua forma (adquirem a forma de uma foice ou meia lua) e as tornam mais rígidas, dificultando sua passagem pelos vasos sanguíneos e comprometendo a circulação sanguínea e a oferta de oxigênio aos tecidos.

Estas alterações ocorrem na presença de desidratação, infecções, estresse físico ou emocional, alterações bruscas de temperatura, etc. e provocam dores ósseas e lesões nos órgãos em conseqüência da falta de oxigênio. Além disso as hemácias de forma anômala sofrem destruição (hemólise), causando icterícia (olhos e pele amareladas) e anemia. Ocorre ainda risco aumentado de infecções.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINAIS S E SINTOMAS DA DOENÇA FALCIFORME?

– Anemia, com icterícia (olhos amarelos)
– Dores ósseas e articulares
– Atraso no crescimento e desenvolvimento infantis
– “Síndrome Mão Pé”, com inchaço e dor em punhos, tornozelos e dedos. Em geral nas crianças até 2 anos de idade.
– Risco aumentado de infecções, dentre outros.

QUAL O TRATAMENTO DA DOENÇA FALCIFORME?

O tratamento do paciente com Doença Falciforme é baseado principalmente na prevenção das situações que levam à modificação da forma das hemácias.
Manutenção do calendário vacinal em dia, rápido tratamento de infecções, evitar desidratação ou exposição inadequada a temperaturas extremas, evitar atividades físicas muito intensas, etc.
Para tratar as crises de dor já instaladas são utilizadas hidratação e analgésicos, administrados em casa ou na unidade de saúde dependendo da gravidade. Para as demais complicações, o paciente deve procurar prontamente o serviço de saúde na presença dos sinais e sintomas inicias.
Dessa forma, o paciente deve ser bem instruído no sentido do auto-cuidado, para que conheça a doença e possa evitar as situações de risco e reconhecer os sinais iniciais das complicações mais comuns, procurando o serviço de saúde o mais rapidamente possível.

COMO SE FAZ O DIAGNÓSTICO DE DOENÇA FALCIFORME?

TESTE DO PEZINHO – deve ser realizado na primeira semana de vida. Basta levar a criança ao Posto de Saúde mais próximo. Este exame vai diagnosticar a Doença Falciforme e vai identificar os pacientes com Traço Falciforme.

ELETROFORESE DE HEMOGLOBINA – a ser realizada nas crianças a partir de 4 meses e nos adultos que não realizaram o teste do Pezinho.
No Ceará o Teste do Pezinho está disponível nas Unidades de Saúde. E ele serve para fazer diagnóstico também de outras doenças graves, como Hipotireoidismo Congênito e Fenilcetonúria. A Eletroforese de Hemoglobina só é realizada em Centros de Referência, e diante da suspeita clínica, o profissional da Assistência Primária deve solicitá-la e encaminhar ao paciente para a realização do exame. (hemoce)

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